
Amar alguém significa saber que você não vai ser feliz o tempo todo, que ninguém pode fazê-la feliz o tempo todo. Essa é uma expectativa totalmente irreal.
Este é um livro de fragmentos. É através das palavras e lembranças de Molly que conhecemos o como, por que e quando do que já foi e do que se seguiu. Com divisões em três partes a cada capítulo, a autora pincela uma história de amor, sim, mas principalmente de aprendizado.
Um dos diferenciais de “O último primeiro beijo” é justamente… Bem, os beijos. Os acontecimentos narrados pela protagonista, da adolescência à vida adulta, estão conectados a todos os tipos de beijos que ela já experimentou durante a vida. Está aí um ponto a favor. Outro aspecto que joga no time da obra de Harris é a capacidade de envolver o leitor gradualmente. O que começa como uma experiência descompromissada tem enorme potencial para te fazer escapar da rotina por alguns minutos que sejam apenas para continuar a caminhar por mais algumas páginas.
A ordem dos acontecimentos não é cronológica. Antes e depois se costuram no vai e vem provocado pelas viagens no tempo dos, algo frustrante para os mais ansiosos, mas acredito que instigante para os que sabem usar a curiosidade a seu favor. O estilo é confuso. As informações não se cruzam como deveriam e acabam se tornando um teste à memória aqui e acolá. Porém, a fidelidade ao que o livro se propõe a ser se manteve até mesmo no erro, seja isso proposital ou não. Quero dizer, esta não é uma simples história de amor, então por que o estilo ou a compreensão deveriam ser?
As maiores críticas ficam por conta dos personagens. A maioria parece rasa/pouco crível. Ainda que o livro traga mensagens lavadas em realidade, Molly, Ryan e companhia ainda têm muito a evoluir para sair do campo de meras criações. Molly tem uma capacidade invejável de me dar preguiça durante 80% do tempo, enquanto Ryan é tão palpável quanto Troy Bolton.
Para mim, “O último primeiro beijo” não é nenhuma experiência profunda. Não vai além e nem provoca de maneira tão assertiva e madura quanto “Um dia”, livro ao qual é comparado aos montes. Está aí uma história de amor, esperança, amizade, perda e beijos. Muitos beijos. Só não é para mim um dos mais marcantes.
1 Comment
Kemmy Oliveira
30 de maio de 2017 at 20:49Puxa, que pena que os personagens sejam assim tão pouco críveis e que a obra não seja marcante 🙁
Eu estou super empolgada para ler essa obra, mas agora que li a resenha já diminui um pouco minhas expectativas, pois gosto de me conectar com os protagonistas e parece que isso definitivamente não acontece aqui
Nunca li Um dia e também nunca terminei de ver o filme porque achei muito chato, então se esse é “pior”, não sei mais o que esperar rs